Leão XIV aos peregrinos em Lourdes: sede missionários da esperança

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Papa: a caridade deve orientar o progresso. Deus e o homem não são rivais
setembro 23, 2026

Leão XIV aos peregrinos em Lourdes: sede missionários da esperança

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Eis o milagre deste lugar: suscitar a alegria da esperança mesmo no meio das provações e da dor. A Virgem Maria cura os nossos olhares e transfigura os nossos corações, dando-lhes a paz. Sede testemunhas ativas desta força e desta ternura divinas, que nos permitem continuar o caminho e alcançar a meta, nos vossos países, dioceses e famílias. Foi a exortação do Papa aos fiéis e peregrinos na Missa celebrada na manhã deste domingo (27/09) no Santuário de Nossa Senhora de Lourdes, na França

No segundo compromisso de seu penúltimo dia na França, o Santo Padre presidiu este domingo, 27 de setembro, à Santa Missa no Santuário de Nossa Senhora de Lourdes, cujo centro mariano recebe todos os anos milhões visitantes provenientes de mais de 140 países do mundo inteiro partilhando histórias e esperanças. Dos mais de sete mil dossiês de curas depositados, após as Aparições de Nossa Senhora a Santa Bernadette Soubirous em 1858, a Igreja reconhece 72 casos como milagres ocorridos neste lugar.

“Apoiados pela oração dos doentes e pelo amor da nossa Mãe, caminhai com confiança rumo ao futuro. Não temais as tempestades do mundo: a Santa Mãe de Deus vigia sobre o vosso caminho, envolve a Igreja no seu manto de ternura e, como Estrela radiosa da manhã, guia os vossos passos para vos gerar, com alegria, na própria vida do seu Filho Jesus” disse o Papa na homilia da celebração dirigindo-se aos peregrinos.

Irmãos e irmãs, peregrinos vindos da França e de todo o mundo, ao olhar para vós esta manhã, reunidos na casa da nossa Mãe, vejo o rosto universal da Igreja. Alguns de vós atravessastes continentes, superastes fadigas, trouxestes as vossas alegrias e os vossos fardos até esta Gruta sagrada. Que felicidade estarmos juntos, um só coração, uma única família!

O convite à conversão
O Pontífice ressaltou que os textos propostos pela Liturgia dominical abordam um aspecto central da mensagem que a Virgem Maria veio confiar a Santa Bernadette e sobre o qual Leão XIV desenvolveu boa parte de sua reflexão, ou seja, o convite à conversão, ao mesmo tempo terno e urgente.

É hoje – não amanhã – que é preciso converter-se; é hoje o momento favorável, o dia da salvação. Sim, observou, “Deus deseja que o homem viva, que abra os olhos e volte para Ele”. Converter-se é abandonar os caminhos do erro para seguir o Caminho da Vida, abrindo assim o nosso coração à única Alegria que não passa, acrescentou.

O próprio Jesus não mede palavras quando exorta à penitência, como nos relata, por exemplo, São Lucas: «se não vos converterdes, perecereis todos» (Lc 13, 5). Mas Ele alarga o horizonte da vida terrena ao da vida eterna. “Enquanto a felicidade aqui na terra é uma realidade efémera, relativa e, por vezes, infelizmente inacessível para alguns, a verdadeira felicidade é prometida a todos, na esperança, e deve ser o principal objeto da nossa busca, dos nossos esforços e das nossas escolhas”, destacou.

A Igreja é chamada a viver a conversão em primeiro lugar
O Santo Padre afirmou que neste momento da história, no seio de uma sociedade em busca de progresso e bem-estar material, mas por vezes tentada a esquecer o horizonte da eternidade, “Maria vem lembrar-nos a grandeza e a amplitude da nossa vocação para a vida, para a vida eterna”.

“Perante as correntes atuais que procuram redefinir o valor da vida humana face à doença, ao sofrimento ou à velhice, a Gruta de Massabielle ergue-se como um santuário da esperança cristã. Aqui, nenhuma fragilidade é rejeitada. As vossas muletas, as vossas cadeiras de rodas, as vossas lágrimas escondidas não são obstáculos: são o lugar por excelência onde sois plenamente respeitados, acolhidos e transcendidos pelo amor infinito de Deus.”

Leão XVI lembrou que encontramos o apelo insistente à conversão nas palavras que Maria proferiu ali mesmo: “Penitência! Penitência! Penitência!” Ressaltou, em seguida, que esta exigência de conversão envolve a própria Igreja na sua peregrinação terrena. “Ela deve ter a coragem de viver essa conversão em primeiro lugar. Para curar as feridas profundas, as infidelidades e os dolorosos desvios cometidos no seu seio, devemos submeter-nos humildemente ao olhar purificador do Senhor”.

Caminhai com confiança rumo ao futuro
O apelo da nossa Mãe ao nosso dever de oração e conversão enche-nos de grande esperança, pois ela indica-nos o meio de mudar o curso das coisas, meio esse que não é outro senão o de nos associarmos à paixão de Cristo, prosseguiu o Pontífice.

“Peregrinos, irmãos e irmãs, não partireis de Lourdes como chegastes: partireis como missionários da esperança”, foi a exortação do Santo Padre antes de concluir sua reflexão, com olhar voltado para a Virgem Maria, nossa Mãe Santíssima.

Eis o milagre deste lugar: suscitar a alegria da esperança mesmo no meio das provações e da dor. A Virgem Maria cura os nossos olhares e transfigura os nossos corações, dando-lhes a paz. Sede testemunhas ativas desta força e desta ternura divinas, que nos permitem continuar o caminho e alcançar a meta, nos vossos países, dioceses e famílias. Apoiados pela oração dos doentes e pelo amor da nossa Mãe, caminhai com confiança rumo ao futuro. Não temais as tempestades do mundo: a Santa Mãe de Deus vigia sobre o vosso caminho, envolve a Igreja no seu manto de ternura e, como Estrela radiosa da manhã, guia os vossos passos para vos gerar, com alegria, na própria vida do seu Filho Jesus.

 

Fonte: Vatican News

Foto: Vatican Media