

Reverendíssimo Padre Laurindo Aguiar,
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Hoje, nossa comunidade se reúne com o coração emocionado e profundamente agradecido. Não é um momento fácil de viver, pois despedidas nunca são simples. Mas é, acima de tudo, um momento de fé, de reconhecimento e de louvor a Deus por uma história que foi construída com amor, entrega e fidelidade ao Evangelho. Nascido em uma família humilde, mas profundamente marcada pela fé, o senhor aprendeu desde cedo que a vida é dom e missão. Seus pais, Dona Ana e o Sr. Valério, criaram com esforço e ternura seus nove filhos, ensinando-os a viver na oração e a confiar na vontade de Deus. Na comunidade rural de Canoas, a cerca de seis quilômetros de Montalvânia, o caminho até a escola era longo e difícil. Mas nem a distância nem as limitações foram capazes de impedir aquilo que Deus já havia semeado em seu coração. Com a bicicleta conquistada com o fruto do próprio trabalho, o senhor seguiu em frente em busca dos estudos, enquanto Deus silenciosamente, o preparava para algo maior.
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A vocação foi amadurecendo, fortalecida pela vida simples, pela fé vivida em família e pelo testemunho da Igreja. Aos 17 anos, com o apoio do saudoso Padre Guilherme, msf, na época pároco da Paróquia Cristo Rei, o senhor respondeu com coragem ao chamado de Deus e ingressou no seminário, iniciando uma caminhada que se tornaria uma vida inteira doada ao Reino. Padre Laurindo ingressou no Seminário Menor da Congregação dos Missionários da Sagrada Família no ano de 1999 e concluiu o Ensino Médio na E. E. Brasiliano Brás, no Seminário Nossa Senhora de Fátima, na cidade de São Francisco. Entre os anos de 2002 e 2004, realizou seus estudos filosóficos no Seminário Imaculado
Coração de Maria, em Montes Claros. Em 2005, seguiu para o noviciado, realizado na Argentina, na região de São Miguel, no Seminário Maria Reina – Noviciado Juan Berthier, onde professou seus primeiros votos religiosos no dia 10 de janeiro de 2006.
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Após a profissão religiosa, retornou ao Brasil e foi enviado para Belo Horizonte, onde cursou Teologia no Instituto Santo Tomás de Aquino, entre os anos de 2006 e 2009. Nesse período, foi acompanhado de perto pelo Padre Genivaldo Lopes, msf, que testemunha sua seriedade, maturidade e profundo compromisso com a formação e com o carisma da Congregação. Segundo o testemunho de seu formador, Padre Laurindo sempre se destacou pela convivência comunitária, sendo um seminarista profundamente integrado à vida da casa de formação, disponível para os serviços, colaborativo e atento às necessidades da comunidade. Sua presença era marcada pela fraternidade, responsabilidade e confiança, tanto na relação com os demais seminaristas quanto no acompanhamento formativo.
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Entre os desafios vividos ao longo da formação, destacou-se a perseverança. Em meio à saída de muitos colegas ao longo do caminho, Padre Laurindo manteve-se firme, fiel e coerente com o chamado recebido, vivendo com seriedade os votos religiosos, especialmente o voto de obediência. Desde aquele tempo, já se percebia nele uma inclinação natural para a missão e para a formação, com um perfil pastoral marcadamente missionário — traço que viria a marcar profundamente todo o seu ministério sacerdotal. Religioso da Congregação dos Missionários da Sagrada Família, o senhor construiu seu ministério inspirado em Jesus, Maria e José, a exemplo do Padre Jean Berthier: com simplicidade, proximidade, espírito missionário e amor profundo pelas famílias. Seu jeito dinâmico, firme e acolhedor sempre revelou um pastor segundo o coração de Deus.
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Foi no final do ano de 2009, mais precisamente em 23 de novembro, que a nossa Paróquia Sagrada Família teve a graça de acolhê-lo pela primeira vez, ainda como Frater. Desde então, já se percebia entre nós a presença de um pastor próximo, atento e profundamente comprometido com o povo. Em 13 de agosto de 2010, vivemos com alegria a sua Ordenação Sacerdotal, e a partir daquele dia o senhor passou a exercer plenamente o ministério presbiteral com zelo, dedicação e amor, na cidade do Cônego Marinho, que pertencia até meados de 2019 à nossa Paróquia.
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Anos depois, em 22 de fevereiro de 2014, a Igreja o confiou oficialmente a missão de pároco da Paróquia Sagrada Família de Januária. A partir dessa data, sua história se entrelaçou ainda mais profundamente à nossa. Sob seu pastoreio, nossa paróquia cresceu, amadureceu e se fortaleceu. O senhor ajudou a moldar nossa identidade pastoral, organizou e animou pastorais, movimentos e serviços, fortaleceu lideranças, incentivou a corresponsabilidade dos leigos e conduziu nossa comunidade com zelo, equilíbrio e visão pastoral. Ao longo de seu pastoreio, também foram visíveis os frutos concretos de seu zelo e visão pastoral por meio de importantes obras e melhorias estruturais. Sempre motivando e encorajando os leigos, nossa paróquia viveu, neste período, um significativo avanço com a construção da Capela Nossa Senhora de Fátima, da Capela São Vicente de Paulo, da Capela Nossa Senhora de Nazaré e, mais recentemente a construção do Centro Catequético de Formação, aqui na Igreja Matriz, além de tantas outras reformas e adequações realizadas em nossas comunidades. Cada obra não foi apenas um espaço físico erguido, mas um sinal cuidadoso com a evangelização, a formação e a vida comunitária. Nessa caminhada, o senhor esteve conosco em todos os momentos: nas alegrias e nas dores, nas conquistas e nos desafios, nos recomeços e nas curas. Abençoou lares, acompanhou famílias, ouviu corações cansados, orientou decisões difíceis, despertou vocações e reacendeu o ardor missionário em muitos de nós. Cada gesto simples, cada palavra de conselho, cada dedicação silenciosa deixou marcas profundas na vida desta paróquia.
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De modo muito especial, queremos recordar o período da pandemia, tempo desafiador marcado pelo medo, pela dor e pelo distanciamento. Mesmo quando as portas da igreja precisaram se fechar, o senhor fez questão de manter os corações unidos. Com criatividade, coragem e profundo amor pastoral, buscou novos caminhos para permanecer próximo do povo: criou momentos de Oração da Manhã, o Diário da Missão e intensificou o Programa no Lar de Nazaré, além das transmissões, mensagens de esperança, orações partilhadas e do cuidado atento com os mais fragilizados. Sua palavra firme e serena sustentou nossa fé e nos ajudou a atravessar aquele tempo com esperança, confiança em Deus e um forte sentido de comunidade, mesmo quando não podíamos estar fisicamente juntos. Ao longo desse tempo, quantas formações tivemos? Foram muitas. Com o senhor aprendemos, ainda mais, a importância de nos dedicarmos ao conhecimento da Palavra de Deus, pois, como cristãos, somos chamados a compreender cada vez melhor a fé que professamos. E quantos cafés partilhados? Incontáveis. O senhor
nos ensinou que tudo aquilo que se partilha se multiplica, e que o simples ato de nos reunirmos gera afeto, proximidade e verdadeiro sentido de comunidade.
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E as missões? Quantas experiências levaremos para a vida inteira! Aprendemos que a missão é da natureza da Igreja e que precisamos estar imbuídos desse espírito para vivermos o compromisso do anúncio do Evangelho. Cada movimento, pastoral, serviço teria diversos testemunhos a dar, pois foram muitos os momentos, ao longo desses anos, que saímos em missão, para viver o anúncio, o encontro. Outras vezes fomos apenas instrumento de escuta ativa e olhar atencioso. Momentos que terminavam com um abraço amigo. O senhor nos mostrou que, na missão, mais que saber falar, na maioria das vezes, precisamos apenas saber ouvir. Não poderíamos deixar de mencionar o Projeto das Pequenas Comunidades de Discípulos(as) de Jesus de Nazaré, Mestre e Senhor, iniciativa que fez tantos
irmãos e irmãs crescerem na fé, aproximarem-se da Palavra de Deus e, sobretudo, começarem a vivê-la de forma concreta e verdadeira no cotidiano da vida cristã. Seu ministério foi presença constante, escuta atenta e serviço generoso. Foi amigo, pai espiritual, pastor próximo. Ensinou-nos a amar a Igreja, a perseverar na esperança e a confiar sempre nos caminhos de Deus, mesmo quando eles nos desafiam. Sim, porque o caminho que escolhemos percorrer ao seguir Jesus, não é apenas florido, perfumado, sem obstáculos, pelo contrário, é por muitas vezes difícil e com muitos degraus. Mas o que nos fortalece é ter a convicção de que a esperança não decepciona.
Após 15 anos, padre Laurindo deixa Paróquia da Sagrada Família de Januária
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Esse, por sinal, foi o lema do Ano Jubilar de 2025. E que ano divino vivenciamos em nossa Diocese. Um tempo marcado por dores e despedidas, como a perda do nosso pastor, o saudoso Dom Geraldo, no mês de abril, mas também profundamente marcado por muitos momentos de alegria e esperança, como a chegada do nosso novo bispo, Dom Dorival, em 21 de agosto. Em nossa Paróquia Sagrada Família, celebramos com gratidão os 60 anos de evangelização e missão, vivenciando uma linda festa jubilar, fruto do envolvimento, da fé e da dedicação de toda a comunidade. Também o Apostolado da Oração celebrou 60 anos de serviços prestados com fidelidade e amor à nossa paróquia. Durante esse ano jubilar, vivemos intensamente a vida pastoral e missionária: realizamos a Semana Nacional da Família, o retiro missionário e a semana missionária; a Legião de Maria celebrou seu 17º Congresso; muitos casais participaram da primeira etapa do Encontro de Casais com Cristo; nossos jovens vivenciaram o Retiro do Encontro de Adolescentes com Cristo; crianças e adolescentes receberam os sacramentos da Primeira Comunhão e da Crisma; e iniciamos, com alegria, o Movimento das Mães que Oram pelos Filhos, entre tantas outras ações pastorais e evangelizadoras. Foi um ano de muito trabalho e, sobretudo, de muitos frutos — como tantos outros ao longo de sua caminhada entre nós.
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O senhor é, sem sombra de dúvidas, um missionário incansável e animador nato, que conduziu esta comunidade com coragem, liderança e verdadeiro amor pela missão. Um sacerdote de múltiplas habilidades, que fez da música e da alegria um autêntico instrumento de anúncio do Evangelho, e com esse seu jeito, contagiou-nos com o amor missionário. Hoje, quando a Igreja o envia para uma nova missão no Rio de Janeiro, queremos dizer, com toda sinceridade: obrigado. Obrigado por sua vida doada, por sua fidelidade ao sacerdócio, por seu amor à Paróquia Sagrada Família e ao nosso povo. Tudo o que foi semeado aqui continuará produzindo frutos, porque foi plantado com fé, cuidado e muito zelo. O senhor tem alma missionária, Padre Laurindo. Isso todos nós já compreendemos.
Suas pernas estão ardentes e o seu coração está a caminho, como sempre brincamos na missão. As pernas ardem porque o missionário é um caminhante incansável, sempre objetivando alcançar novos povos. E o coração é que vai à frente, nos direcionando pelos caminhos da missão. Despedir-se não é romper laços. É confiar que o mesmo Deus que o trouxe até nós é o Deus que agora o conduz adiante. Seguiremos unidos pela oração, certos de que o senhor levará consigo um pouco de nós — e que nós levaremos para sempre muito do senhor em nossos corações.
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Gostaríamos de convidar cada membro de pastoral, aqui presente, para ficar de pé. Também convidamos a você que participa de movimentos e serviços, fique de pé, por favor. A você que veio representando sua comunidade, fique de pé também. A você que costumeiramente participa das santas missas aqui na matriz, ou que está nos visitando pela primeira vez, fique de pé. Receba, Padre Laurindo, o nosso abraço fraterno e carinhoso, a nossa gratidão sincera e a nossa oração constante. A Paróquia Sagrada Família agradece, louva a Deus por sua vida e o entrega, com confiança, aos novos caminhos da missão. Que a Sagrada Família de Nazaré continue a iluminar seus passos, fortalecer sua vocação e sustentar sua missão, hoje e sempre. Amém.
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Texto:
Gisnéia Laís S. Correia Cruz
Juciane Francisca dos Santos
Foto: Laura Medrado / PasCom Sagrada Família